• Milena Pontes

Mãos no ballet; Diferentes estilos e técnicas.

Atualizado: 26 de Ago de 2018

Conheça as formas de aprimorar as linhas e a fluidez dos movimentos.



Penso no corpo do bailarino como cada parte sendo um instrumento de uma grande orquestra. Se algo não está de acordo ou está “ desafinado” todo o envolvimento, e a emoção da melodia se perde. 


 Falamos sempre em pés fortes, pernas altas, pescoço alongado mas esquecer das mãos pode mudar toda a sensação da sua dança. A maneira como você usa as mãos no ballet em qualquer passo, pode criar ou quebrar sua linha ou seja; elas devem dimensionalmente tornar os braços completos. 

Não podemos esquecer também a conexão entre a cabeça, e o olhar acompanhando o movimento da mão. Tal sincrônia quando praticada traz uma dose de fluidez e graça capaz de transformar sua performance.


Escolas e estilos: 


George Balanchine treinou seus bailarinos a terem as mãos arredondadas e delicadas usando pequenas bolas durante os ensaios e aulas para que a palma da mão fosse mais arredondada, e quanto aos dedos abertos inclusive o polegar a partir da bola - era para criar a consciência dos dedos se abrindo como uma flor.



No video abaixo a bailarina Lauren Lovette conta como foi a mudança para o estilo Balanchine quando ingressou na American Ballet School. 



No estilo Vaganova as mãos são colocados de modo que  seguem a linha natural dos braços. Os polegares devem ser curvos e suavemente tocar a segunda junta do dedo médio, muitas pessoas confundem com a primeira  articulação que é logo abaixo.

Os dedos devem ser separados, mas nem todos devem se espalhar. As vezes é possível notar os quatro primeiro dedos bem relaxados e o mindinho suavemente levantado. A intenção é alcançar um embelezamento referente ao que é natural, não algo exagerado,  ou que possa transmitir alguma tensão.  O pulso também é ligeiramente quebrado. 



O video a seguir mostra uma aula  em que são colocadas canetas entre os dedos das crianças para ensinar a posição correta durante o bailado. 



Royal Academy of Dance  segue um modelo semelhante ao Vaganova, mas prefere uma longa linha do ombro até os dedos sem a quebra do pulso, ou as vezes muito mais sutil de acordo com o repertório e etc. 


Professores Cecchetti preferem dedos curvados  como se a bailarina estivesse segurando a borda do seu tutu, o polegar chega a quase  tocar a ponta do dedo médio. Também se atribui uma ligeira quebra do pulso.

 



Observe e pratique - pequenos exercícios de fluidez. 




Conheça seu estilo e método de aula: 

Se você não tem certeza do que seu diretor / professor quer em termos da forma de suas mãos, não tenha medo de perguntar após da aula ou ensaio. Observe como ele (a) demonstra na classe, especialmente a forma feita do pulso e dedos. Ajuda na percepção você imaginar um objeto  que poderia se encaixar perfeitamente entre os dedos, e usar esta nota metal para mandar o comando para as suas mãos. Como descrevi acima, há diferentes estilos e é muito importante conhecer em qual deles são baseadas suas aulas. Se você não tem um método específico, relaxe os dedos e tenha o dedo médio e o polegar juntos, como se estivesse segurando delicadamente uma rosa entre eles. Isso cria uma forma linda e suave que funciona para todas as funções e momentos.

Perigo de alta tensão: 

Não importa qual o método ou estilo você está seguindo, a tensão, dedos duros ou hiper-estendidos não cabem em nenhuma classe de ballet. Os dedos devem ser ativos porém descontraídos, com uma tensão mínima. A sensação deve ser semelhante a segurar algo fluído e muito delicado entre os dedos: tendo força e apoio para segurá-la o suficiente, mas com um abrandamento dos dedos que o impede de agarrar e vincar o material. Experimente com um lenço por exemplo.


Pulso firme na medida: 

 Seus pulsos são a ligação da linha que flui do ombro até a ponta dos dedos. Como tal, é preciso mantê-los firmes adequadamente para suportar a linha. Olhe no espelho e coloque os braços em Bra bas (braços baixos). Os pulsos devem continuar a linha de seus antebraços, angularmente nem abaixo nem acima.

Quando você está dançando - especialmente em arabesque certifique-se que você não está deixando seus pulsos “quebrados”  nem para cima nem para baixo. Isso quebra a linha e  poderá fazer um cisne virar um frango rs. 

Hora do chá: 

 Há uma linha muito tênue entre a delicadeza e o que pode transmitir amadorismo e nervosismo ao levantar o dedo mindinho. Ele é sim  levantado ligeiramente acima do resto dos dedos, mas nunca deve sobressair ou ser rígido.  Se observe e tente relaxar um pouco e perder a tensão. Isso te fará um bailarino mais elegante e não como se estivesse segurando uma xicará quente de chá.  



Pensamentos geram comandos:

 Ao mover-se através do Port de bras (movimento dos braços), deixe seus pulsos e mãos se movimentarem muito levemente apenas um pouco atrás do resto de seus braços.

Finja que você está desenhando os braços através da água deixando um rastro macio de ondulações. Imaginar sensações desse tipo ao dançar ajuda a tornar o port de bras mais suave e transmite uma sensação de relaxamento em suas mãos que é vital quando se deslocam de posição a posição.

Não se esqueça principalmente que o ballet tem muitos aspectos mas tudo é sobre estética e linhas. 

Espero ter ajudado sobre esse assunto as vezes tão esquecido no ballet. 


Quais são as suas dúvidas sobre técnica, estilos e etc?

Mande a sua sugestão para os próximos posts



Fontes: Aol.original city.ballet | Fundamentos da Dança Clássica | Ballet.Isport | BalletRussian.org | Royal Balle.org | Dance Spiriti.com | Ballet Allert.com

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