• Milena Pontes

Público e bailarinos sob influência da internet.


A nossa mente é treinada para ver as imperfeições e se corrigir todo o tempo.

“Nunca bom o suficiente” “Nunca flexível o suficiente.”  “Nunca alto suficiente.” !

 Embora essa mentalidade tenha o potencial de ser prejudicial, a busca contínua pela perfeição é o combustível que nos mantém. O que nos preocupa é que isso está chegando a outro nível quando associamos a exposição das redes sociais. 



 Quantas imagens ou vídeos de ballet você vê todos os dias? E quantos destes vídeos ou fotos são de bailarinos fazendo coisas extraordinárias? 

Alongamentos extremos, giros infinitos… Quantos  parecem um novo filme dos X-Men? Muitos, eu sei. O meu feed também é assim, mas estou exercitando um novo jeito de olhar para isso sem me auto depreciar, e espero que este artigo te ajude também. 

 Hoje até no Brasil temos páginas que focam exatamente neste lado extremo e prodigioso do ballet, muitas vezes confundindo estudantes iniciantes que  buscam online complemento para as aulas práticas. 

 Infelizmente a busca por publicidade, likes e visualizações faz com que não haja qualquer critério em compartilhar vídeos de garotas precocemente nas pontas sem qualquer explicação sobre o contexto daquelas postagens, se distanciando da “vida real” da dança.   

 Obviamente temos que citar o lado positivo das redes. Em alguns cliques podemos assistir ballets completos com os melhores do mundo, revê-los, copiar gestos, nuances, figurinos. obter muitos detalhes de uma obra, ou compreender aspectos da técnica  que devem ser aprimorados  em aula sob a supervisão de um bom professor. 


Ser expectador também é uma das qualidades de um bom bailarino!

 Como citei aqui, o que nos faz neurologicamente  gostar de assistir ou  dançar são as emoções geradas com as surpresas que surgem em cada passo. Logo, é totalmente aceitável a evolução do ballet, muito por influência do virtuosismo russo. Mas é preciso atentar -se para o fato de que a ascensão principalmente das plataformas de video  (Youtube, Instagram) estão elevando as expectativas do público que se torna um tanto insensível a narrativa de um repertório completo, esperando sempre por feitos cada vez mais acrobáticos de acordo com a imagem que está sendo construída online. 

 Recentemente algumas das grandes estrelas do Royal Ballet (uma das maiores companhias do mundo) se manifestaram sobre  sentirem cada vez mais dificuldade em impressionar o público. 

Se tratando de uma arte como o ballet clássico isso é assustador!

 “Eu sinto que está se tornando um pouco perigoso com o passar dos anos as pessoas estarem cada vez mais impressionadas com os truques no bailado. Todos estão preocupados com os números de piruetas que podemos fazer, ou quão alto podemos subir e sustentar a perna. Por vezes, a linha é muito tênue entre um tipo de  ginástica  e a pura arte, que pode ser tão emocionante dependendo da forma como você a realiza.” Francesca Hayward
Ryoichi Hirano complementou: “O salto mais alto que as pessoas esperam, é apenas uma fração de segundo de uma obra de até três horas. Somos contadores de histórias, não fazemos truques circenses.” 

 Controlando a autocrítica 

Para os bailarinos (profissionais ou não) se auto depreciar pode ser muito comum ao assistir vídeos ou ver fotos, e isto pode nos afastar dos inúmeros benefícios que a dança traz. 

 Já se sabe que bailarinos desenvolvem um senso autocrítico um tanto severo, e com a janelas sobre as habilidades alheias que a internet abre, esta característica é elevada a máxima potência.

  Um exemplo; com o crescimento do ballet adulto muitas mulheres apaixonadas pela dança buscam cada vez mais informações nas redes. Mas muitas dessas “dicas” vem de bailarinos já experientes que obviamente possuem  habilidades físicas muito diferentes, e  para gerar cada vez mais likes e compartilhamentos, vão em direção da  super valorização da flexibilidade. Tudo isso causa muito mais frustração que o acolhimento que esta troca deveria gerar.

 “A busca pela perfeição está sempre em andamento porque a perfeição nunca pode ser alcançada. Isso não deve desencorajá-lo, e sim gerar uma paixão  infinita dentro de você para viver a forma de arte que você ama.”

 O autodiscurso negativo tornou-se muito comum na dança. O auto elogio pode passar a impressão de superioridade, e quando você está falando negativamente de si mesmo para um amigo, inconscientemente isso gera uma certa “união” e um sentimento de cumplicidade. 

 A inclinação para criticar-se frequentemente começa em torno da adolescência, e sempre que há um objetivo fazemos um balanço de nossas qualidades e defeitos afim de traçar o melhor caminho para atingí-lo. Nossos corpos são nossos instrumentos nessa jornada, qualquer falha percebida tornar-se uma ameaça ao nosso sucesso.

 “Use qualquer crítica negativa em sua vantagem. O mundo inteiro está aqui para julgá-lo, então enalteça seus pontos positivos e dance a favor dos seus objetivos.”

Quebre o hábito

Mindfulness”  é  a prática de estar plenamente presente em cada momento enquanto calmamente aceita os pensamentos e sentimentos que você tem sobre ele.

 Psicológos incentivam os bailarinos a aceitar o fato de que temos pensamentos negativos e decidir sobre ações que são consistentes com os valores que nos esforçamos para ter. Os dançarinos precisam ser capazes de formar críticas construtivas. Mas também precisamos distinguir um pensamento viável do impraticável.

  Seus pensamentos não são quem você é, eles são simplesmente eventos mentais, porém transformar a forma como reflete sobre suas qualidades e defeitos mudam também a sua relação com a dança. 

 Diga para si mesmo uma coisa boa sobre sua dança. E quando estiver tendo sentimentos negativos na sala de aula, se volte para esse pensamento positivo. 


Como fazer da autocrítica uma ferramenta útil?

 A autocrítica é útil quando é parte de um planejamento. Estabelecer metas e ser capaz de perceber os resultados que está tendo é muito importante para esse processo. 

 “Ser capaz de perceber a si mesmo de forma equilibrada e com coerência é uma arte.” Vamos falar sobre a construção e a importância da auto imagem em breve aqui no blog!


Autocrítica versus auto-sabotagem

 Entender as diferenças entre autocrítica e auto-sabotagem é o conhecimento essencial para qualquer bailarinos. Há uma linha muito frágil entre os dois. 

Insegurança e dúvida são o que o mundo do ballet prospera, o incentivo é criado porque nós, como perfeccionistas, queremos ser melhores; e nos livrar de todas as inseguranças e imperfeições. E é neste ponto que a linha é traçada. 


Identificando a Auto-sabotagem 

 Todo pensamento é emocional em vez de lógico. Muitas vezes, estes bailarinos não estão apenas se comparando ao seu reflexo no espelho, mas também com cada um da classe. Auto-sabotagem é destrutiva e negativa e inevitavelmente só acentuam suas fraquezas.

É muito mais fácil observar este comportamento em outras pessoas, mas podemos, também estarmos nos auto-sabotando e sem perceber. 

 A auto-sabotagem ocorre quando nós mesmos criamos problemas ou obstáculos para a realização de alguma meta, compromissos, sonhos ou projetos. Pode ser um hábito automático, programado no subconsciente, um destes hábitos está relacionado com o adiamento para o futuro de coisas que poderiam ser feitas no presente, e também com outras atitudes das quais vamos enumerar agora:

  • Livre-se da crença limitante

 Crença limitaste é quando você pensa ou diz certas frases como se fossem uma verdade absoluta, é a história que você conta para si mesmo: “Eu não consigo…”  “eu nunca…” “não sou capaz de…”.

“Se você acha que pode, ou se você acha que não pode, você está certo”. -  Henri Ford

  • Procrastinação

 Adiar, demorar, deixar para amanhã. Quase todo mundo conhece a procrastinação em algum grau. e ela pode se tornar uma armadilha de auto-sabotagem, se não for percebida.

 Imagine; você tem que acordar cedo para ser pontual e chegar antes do horário marcado para seu ensaio ou aula para então se aquecer melhor. Mas ao invés de acordar quando o despertador toca, você adia o alarme para dormir mais 15 minutinhos (que acidentalmente, se transformam em 30). Pronto, uma simples atitude te fez procrastinar e se auto sabotar na busca pelo seu objetivo. 

  • Esconder -se 

 Você busca o seu progresso nas aulas mas está o tempo todo preocupado em não se arriscar demais com medo de uma observação mais dura do professor. Este hábito te faz estar sempre atrás de alguém,  alimentando o vicio por copiar as seqüências e tentando não ser visto.

  • Um homem é medido pela tamanho de seus sonhos.

Nosso maior tesouro é a capacidade de sonhar. Como co-criadores de nossa realidade, podemos criar qualquer imagem que nossa tela mental possa pintar. Mas basta que você determine para si um meta grandiosa, para que o brilho da realização aponte pensamentos e hábitos que se colocarão entre você e seu triunfo. 

  A dança nos coloca diante de situações que conversam diretamente com emoções, metas e medos  de outras  áreas da nossa vida. Pessoalmente, eu nunca consegui separar isso e vejo as lições no ballet na vida, e vice-versa.

Espero que esse artigo te ajude de alguma forma a perseguir seus objetivos com mais leveza e equilíbrio!! Tá ai, mais duas coisas essenciais na vida e na dança. 


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