• Milena Pontes

Dia Internacional da Dança uma celebração a história do ballet.

São tantas coisas pra falar sobre essa personalidade da dança que é difícil começar, e nesse impasse que já vem de algum tempo resolvi aproveitar a "desculpa" da data de hoje.

Se a dança ocupa uma parte importante no seu coração, e te faz ser quem você é; Feliz dia Internacional da Dança!

A data de hoje (29.04) não por coincidência também é a data de nascimento de Jean George Noverre.


Considere que essa história não é nova se você faz aulas de ballet, ela é contada todas as vezes em que você ensaia, assiste a um ballet de repertório ou ouve sobre a evolução técnica e história da dança como arte.

Por hoje resolvi trazer só alguns pontos que nos introduzem a importância de Noverre na dança. Um pouco da visão dele, e por fim algumas sugestões para conhece -lo um pouquinho mais.


O “Shakespeare do ballet”

Mesmo que nenhum dos 150 ballets que ele criou tenham chegado até nós da forma como os de Petipa chegaram, a comparação com Shakespeare ilustra bem sua importância.

Mas foi através de suas “Cartas sobre a dança” livro publicado em 1760 que muito da sua visão revolucionária da época moldou o que somos e fazemos hoje.


Para nos situarmos no período que antecedeu o trabalho de Noverre, segue a importante reflexão de um crítico:

"(...) a dança se tornara tão pouco expressiva de qualquer coisa dramática, que bonecos e máquinas podem facilmente substituir uma bailarina ”.

Noverre marca a transição de um ballet que era mero passatempo, para um arte ativa que conta histórias e traduz as emoções e conflitos humanos.

Eu entendo isso por uma colocação que já ouvi de alguns professores; que o ballet sem emoção é apenas ginástica.


E como ele fez isso? Vamos lá...

Entre outras melhorias, Noverre introduziu o pas d'action (passo da ação), a pantomima usada para evolução mais direta de um enredo, transmitindo assim a história.

Nessa forma resumida, e quando olhamos para o ballet hoje é difícil entender o que aconteceu antes. Tenho a sensação de que, se estivesse vivo, ele amaria Anthony Tudor e odiaria George Balanchine (mas isso é assunto pra outro post, este é apenas uma introdução) e fico imaginando o que Balanchine pensava das teorias de Noverre.


Voltando! Outra grande contribuição foi a forma como defendeu reformas nos figurinos e mostrou que músicos, coreógrafos e designers devem trabalhar juntos na criação de um ballet, o que mais tarde Diaghilev fez com maestria e nos deixou de herança com o Ballet Russes.

Com a edição em português de suas cartas em mãos, separei algumas aspas que pessoalmente grifei e complementam melhor quaisquer outras explicações que eu poderia dar:


"O ballet bem composto é a pintura viva das paixões, dos hábitos, dos usos, das cerimônias e dos trajes de todos os povos da terra; consequentemente, deve ser pantomima em qualquer gênero e falar à alma por meio dos olhos."


"A poesia, a pintura e a dança são, e devem ser, uma cópia fiel da bela natureza."


"Um ballet é um quadro, a cena a tela, os movimentos mecânicos dos figurantes são as cores; se me permitis, direi que suas fisionomias são o pincel, o conjunto o vivacidade das cenas, a escolha da música, o cenário e o figurino são o seu colorido (...)"


"Não é possível imprimir tal interesse recitando maquinalmente belos versos ou executando simplesmente belos passos; é preciso que a alma, a fisionomia, o gesto e as atitudes falem ao mesmo tempo, com energia e verdade."


"A pantomima é pensada como uma linguagem que articula com a rapidez do relâmpago, universal e imediata. Não há descontinuidade entre o sentir e o expressar."


E uma das minhas citações favoritas (sobre as dificuldades técnicas):

"As dificuldades só agradam quando apresentadas com traços de bom gosto e graça, quando investidas de nobreza e soltura, quando o esforço fica escondido, deixando ver apenas a leveza."


"Eu não entendo o plano que não me permite uma introdução, enredo e clímax."


"A composição dos ballets exige, na minha opinião, senhor, uma imaginação fértil e poética."


"Como você sabe, Senhor, o rosto de um homem é o espelho de suas paixões, nas quais os movimentos e as agitações da alma são exibidos, e nos quais tranquilidade, alegria, tristeza, medo e esperança são expressos por sua vez."



Hoje qualquer um que tenha interesse, pode ter acesso a suas "cartas" publicadas pela autora Mariana Monteiro com o título de:

Noverre - Cartas sobre a Dança pela editora Edusp.

Além do livro gostaria de deixar alguns videos que nos situam um pouco em como eram os ballets concebidos por Noverre.









Aproveitem, mesmo que não compreendam o aúdio as idéias dos bailados falam por si.


Noverre : Renaud et Armide (1760) - Médée et Jason (1763) - Centre de musique baroque de Versailles

https://www.youtube.com/watch?v=U3OdDDEs3lg


Ballets de Noverre - Culturebox - 2012

https://www.youtube.com/watch?v=WlP2p7rV1js


Que este post te inspire ainda mais a comemorar o Dia da Dança por tudo o que é, foi e representa por tantas gerações.


E me conta caso tenha algo a acrescentar, ou alguma dúvida. Ficarei feliz em responder!






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